Médico realiza escleroterapia em perna com telangiectasias em ambiente de clínica moderna

Você já se perguntou como a escleroterapia realmente age no fechamento das veias doentes? Eu mesmo, após anos acompanhando pacientes, já vi como dúvidas sobre procedimentos circulatórios são frequentes no consultório. Por isso, resolvi compartilhar um panorama detalhado, esclarecendo etapas, métodos, escolhas de substâncias e todos os pontos que fazem essa técnica ser referência no combate às varizes.

A escleroterapia transforma a vida de quem sofre com vasinhos e varizes.

O que é escleroterapia e por que ela é indicada?

A escleroterapia consiste na aplicação direta de substâncias esclerosantes dentro de veias superficiais, especialmente aquelas que apresentam dilatações e mal funcionamento das válvulas. O resultado esperado é o fechamento interno dessas estruturas, com melhora da circulação sanguínea, diminuição dos sintomas e impacto positivo na aparência dos membros.

Indicações comuns:

  • Vasinhos (telangiectasias)
  • Veias reticulares
  • Varizes de pequeno e médio calibre
  • Agravamento de sintomas como dor, peso e ardor nas pernas

Ao longo do tempo, percebi que muitos confundem escleroterapia com cirurgia. No entanto, escleroterapia é um procedimento minimamente invasivo, ideal para quem busca recuperação rápida e resultados estéticos expressivos.

Passo a passo da avaliação inicial

Começar pela avaliação é parte fundamental. Antes de pensar em qualquer aplicação, preciso entender o quadro clínico do paciente em detalhes.

O processo avaliativo envolve:

  1. Conversa sobre sintomas, histórico familiar e doenças associadas.
  2. Exame físico dos membros, avaliando presença, quantidade e distribuição dos vasos comprometidos.
  3. Solicitação ou análise de exames, geralmente o ecocolordoppler venoso, que mostra com precisão o fluxo sanguíneo e eventuais refluxos ou tromboses.
  4. Discussão transparente sobre expectativas e alternativas terapêuticas.

A experiência me mostra que quando paciente e médico estão alinhados quanto às possibilidades, as chances de satisfação aumentam muito.

Métodos de escleroterapia: conheça as diferenças

Durante a jornada ao lado dos pacientes, ficou claro para mim que escolher a técnica adequada faz toda a diferença. Existem três métodos principais:

Escleroterapia líquida

Esse método é o mais tradicional e indicado para vasinhos superficiais e finos reticulares. Utiliza-se uma substância líquida, como polidocanol ou glicose hipertônica, que é injetada diretamente na veia.

Benefícios dessa modalidade:

  • Ótimo para vasos pequenos (<2 mm)
  • Baixo risco de complicações
  • Procedimento rápido, com mínima necessidade de anestesia local

Escleroterapia com espuma densa

Cria-se uma microespuma do agente esclerosante, aumentando a área de contato e potencializando o efeito. Uso esse método para veias de maior calibre, varizes alimentares e casos com refluxo venoso localizado.

  • Ideal para vasos moderados e varizes maiores
  • Visualização fácil do trajeto do medicamento
  • Maior eficácia no fechamento
A espuma "empurra" o sangue para fora da veia e adere às paredes, gerando impacto mais eficiente.

Laser transdérmico

Neste método não há injeção. Um feixe de laser direcionado atravessa a pele e coagula seletivamente os vasos mencionados, o que gera obstrução e absorção gradual pelo organismo.

Quando o laser costuma ser escolhido?

  • Vasos muito finos e superficiais, onde agulhas podem se tornar inviáveis
  • Áreas esteticamente sensíveis, como pés, tornozelos e rostos
  • Pacientes com medo de agulha ou alergia a esclerosantes

Na minha rotina, costumo combinar métodos para obter o melhor resultado funcional e estético possível.

Como ocorre a escolha do agente esclerosante?

O agente esclerosante é a substância capaz de irritar e danificar o endotélio da veia, gerando resposta inflamatória controlada e oclusão final do vaso.

  • Polidocanol: Muito empregado pela tolerância geral, baixa dor no momento da aplicação e baixo risco de efeitos colaterais em concentrações bem ajustadas.
  • Glicose hipertônica: Tem perfil seguro, principalmente para vasos muito superficiais, e está indicada para pessoas com histórico de alergia a outros produtos.
  • Outros esclerosantes: Por vezes, utilizam-se outras substâncias, como glicerina cromada ou etanolamina, dependendo do protocolo e do quadro apresentado.

É imprescindível avaliar alergias, reações prévias e características da pele e dos vasos. Sempre explico cada detalhe antes de iniciar, porque transparência reforça a confiança no processo.

Como a escleroterapia fecha as veias doentes?

Muitos se perguntam: afinal, o que acontece dentro da veia após a aplicação?

O medicamento provoca inflamação controlada e adesão das paredes, levando à obstrução do fluxo sanguíneo.

Funciona assim:

  1. A substância entra em contato com o endotélio venoso (revestimento interno), desencadeando lesão química ou física.
  2. Essa lesão gera um processo inflamatório local, sinalizando para que as paredes da veia se aproximem e se colem.
  3. Com o tempo, o vaso fechado é progressivamente absorvido pelo corpo, virando um pequeno cordão fibroso sem função circulatória.

Esse mecanismo não prejudica a circulação. O sangue que circulava nessas veias é naturalmente redirecionado para outros vasos saudáveis, colaborando para o alívio dos sintomas causados pela insuficiência venosa.

A importância do uso do ultrassom na escleroterapia

O uso de ultrassom doppler revolucionou o acompanhamento real-time das aplicações. No consultório, costumo recorrer ao ultrassom especialmente para tratar varizes profundas, veias maiores ou casos com anatomia confusa.

  • Visualização em tempo real do vaso a ser tratado
  • Direcionamento preciso da agulha
  • Diminuição do risco de aplicações fora do local correto

O ultrassom permite identificar refluxos ocultos e mapear todo o sistema venoso, evitando tratamentos incompletos. Na minha experiência, os resultados se tornam mais previsíveis e a segurança aumenta muito quando a tecnologia é aliada do procedimento.

O procedimento: passo a passo da escleroterapia

Chegou o momento mais aguardado: entender, cuidadosamente, cada etapa do procedimento.

1. Higienização e preparação do ambiente

Detesto correr riscos. Por isso, faço questão de seguir protocolos rígidos de assepsia, uso de álcool, campos estéreis e paramentação adequada. O paciente deve estar confortável, de preferência deitado em posição que facilite o acesso aos vasos.

2. Marcação dos vasos

Em muitas situações, utilizo uma caneta dermatológica para demarcar os vasos visíveis. Nos casos de veias pouco perceptíveis, lanterna ou luz transiluminadora pode ser empregada para evidenciar os trajetos.

3. Escolha do método e preparação do esclerosante

Seleciono o agente adequado (polidocanol, glicose, etc) e ajusto a concentração de acordo com o perfil e calibre dos vasos. Em caso de espuma, preparo a mistura com técnicas padronizadas para obter microbolhas estáveis.

4. Aplicação da substância

Posiciono a seringa e a agulha na entrada do vaso. Alguns pacientes relatam leve ardor ou sensação de pressão, que dura poucos segundos. Quando há dor, realizo pausas e readapto estratégias para o conforto do paciente.

5. Compressão do local

Após a aplicação, pressiono a região para evitar sangramento e ampliar o tempo de contato da substância com o endotélio. Compressas frias, em alguns casos, minimizam incômodos e evitam roxos excessivos.

6. Realização de ultrassom, quando indicado

Após cada aplicação em vasos de maior calibre, gosto de conferir o resultado via ultrassom, garantindo oclusão efetiva e ausência de complicações.

7. Limpeza final e orientações imediatas

Após finalizar as aplicações, limpo o local, retiro possíveis marcas e oriento o paciente sobre cuidados nas horas seguintes.

O procedimento, na minha prática, costuma durar de 20 a 40 minutos por sessão, variando conforme a extensão e quantidade de vasos tratados.

Cuidados pós-escleroterapia: o que não pode faltar?

Esta etapa é fundamental para consolidar os resultados e evitar intercorrências. Sempre faço questão de detalhar cada ponto, já que pequenas atitudes aumentam a segurança do paciente.

  • Uso de meias compressivas: Oriento vestir meias elásticas de média compressão logo após a sessão e permanecer com elas ao longo dos primeiros dias, especialmente durante o dia. Elas ajudam a reduzir o risco de trombose, diminuem edemas e potencializam os resultados estéticos.
  • Evitar exposição solar: Por pelo menos duas semanas, não é indicado tomar sol diretamente sobre a região tratada, pois isso pode gerar manchas ou pigmentações.
  • Atividade física: Exercícios leves, como caminhadas, estão liberados. No entanto, atividades extenuantes devem ser evitadas por alguns dias.
  • Cuidados locais: Caso surjam hematomas, indico o uso de gelo local e, às vezes, cremes específicos para alívio dos sintomas.
  • Observar sinais de alerta: Qualquer dor intensa, inchaço progressivo ou alteração de cor deve ser reportada ao médico para averiguação imediata.

Quais os benefícios da escleroterapia para saúde vascular e estética?

Com base nos resultados que observo dia após dia, posso afirmar:

  • Redução das dores, inchaços e sensação de peso nas pernas
  • Diminuição do risco de complicações decorrentes da insuficiência venosa, como flebites e úlceras
  • Melhora expressiva do aspecto estético, elevando autoestima e satisfação pessoal
  • Retorno precoce às atividades cotidianas, sem necessidade de internação

Além da melhora clínica, a aparência da pele se transforma. As manchas arroxeadas dos vasos tratados vão sumindo gradativamente, revelando pernas mais uniformes e saudáveis ao longo de 2 a 3 meses.

Possíveis riscos e complicações da escleroterapia

Por mais seguro que o procedimento seja, jamais escondo que complicações podem ocorrer, em maior ou menor frequência, dependendo do perfil de cada paciente.

Entre as possíveis intercorrências, destaco:

  • Hematomas: Pequenos roxos ou caroços duros, que tendem a desaparecer em algumas semanas.
  • Manchas hiperpigmentadas: Áreas mais escuras no trajeto dos vasos, geralmente temporárias, mas que podem persistir.
  • Matting: Uma “névoa” de vasinhos finíssimos, avermelhados, que pode surgir após algumas sessões.
  • Reações alérgicas: Extremamente raras, mas possíveis com certos tipos de esclerosantes.
  • Trombose venosa superficial: Incomum, especialmente quando se respeita a técnica e usa compressão adequada.
  • Úlceras ou necrose: Muito raras, geralmente relacionadas a infiltração fora da veia ou aplicação de volume excessivo.

Acompanhamento rigoroso e experiência do profissional são determinantes para minimizar riscos e lidar rapidamente com qualquer evento adverso.

Quem não pode fazer escleroterapia?

Nem todos os pacientes são candidatos ao procedimento.

Contraindico, sempre que:

  • Gestação em andamento (exceto casos muito específicos, sob avaliação)
  • Amamentação, pelo risco de passagem do agente esclerosante
  • História prévia de trombose venosa profunda recente
  • Quadros de infecção de pele ou ativos no local de aplicação
  • Doenças sistêmicas descompensadas, como insuficiência renal ou hepática
  • Quadros de alergia confirmada aos componentes esclerosantes

Por tudo isso, a avaliação individualizada é uma etapa que jamais pode ser negligenciada.

Quantas sessões são necessárias?

Essa é uma pergunta que ouço quase todo dia. E sempre respondo: cada caso é único! O número de sessões depende de fatores como extensão das veias, espessura, resposta do organismo e técnica escolhida.

  • Casos leves ou localizados: 1 a 3 sessões costuma ser suficiente
  • Vasinhos difusos, quadros antigos: podem ser necessárias 4 a 8 sessões, espaçadas a cada 2 a 4 semanas

Resultados parciais podem ser visualizados já após a primeira sessão. E o resultado final se consolida entre 1 a 3 meses do término do tratamento.

Resultados: quando esperar melhoras?

Ninguém gosta de esperar demais pelo resultado, não é verdade? A verdade é que, já nos primeiros dias, a maioria dos pacientes comenta sensação de pernas mais leves e diminuição da dor. O desaparecimento total dos vasinhos depende da absorção do organismo, que pode levar algumas semanas.

Quanto maior o calibre das veias, maior tende a ser o tempo para desaparecer completamente. Para os vasinhos muito finos, a melhora estética é observada rapidamente – às vezes em poucos dias.

Restrições após o tratamento: o que evitar?

Sem dúvidas, seguir as recomendações pós-procedimento é tão importante quanto a técnica em si. Na minha rotina, sempre ressalto:

  • Evitar exposição solar por pelo menos 15 dias
  • Não fazer depilação com cera ou procedimentos traumáticos no local da aplicação
  • Não usar roupas apertadas que possam comprimir excessivamente os vasos
  • Evitar saunas e banhos quentes prolongados nas 48h iniciais
  • Não praticar atividades físicas intensas, como corridas longas ou treinos de musculação, no prazo de 3 a 5 dias

Essas pequenas atitudes ajudam a prevenir manchas persistentes e otimizam a recuperação.

Quando procurar acompanhamento médico depois da escleroterapia?

Gosto de acompanhar de perto todos os pacientes nesta fase. Sempre oriento agendar retorno para:

  1. Avaliar evolução dos resultados, cicatrização e desaparecimento dos vasinhos
  2. Verificar presença de complicações, como manchas, nódulos ou sinais de trombose
  3. Definir necessidade de sessões complementares

O contato regular com o cirurgião vascular traz segurança e permite ajustes rápidos no protocolo, potencializando os resultados.

A escleroterapia dói? Como diminuir desconfortos?

Uma das perguntas mais comuns que escuto é sobre a dor durante a aplicação. Na maior parte dos casos, trata-se de uma sensação de “picada” ou leve ardor, passageira e bem tolerada. Quando necessário, uso cremes anestésicos locais ou adequo a técnica, especialmente em áreas sensíveis.

  • Compressas geladas antes do procedimento podem diminuir a dor
  • Evitar ansiedade ajuda a reduzir percepção do incômodo
  • A aplicação lenta do esclerosante também é aliada

É reconfortante para os pacientes saber que, em geral, o desconforto é mínimo e dura poucos instantes.

O que pode acontecer se não tratar as veias doentes?

Uma dúvida relevante. Sempre explico que, além das queixas estéticas, varizes e vasinhos não tratados podem levar, com o passar dos anos, a quadros de insuficiência venosa crônica, úlceras, dermatites e tromboses.

Tratar veias doentes vai muito além da questão estética: significa cuidar da saúde vascular global.

Conclusão: o fechamento das veias doentes de forma segura e eficaz

Ao olhar para todo o processo, percebo como o avanço das técnicas de escleroterapia trouxe uma nova perspectiva para quem sofre com varizes e vasinhos.

Escolher a abordagem ideal depende da avaliação detalhada, personalização do protocolo e acompanhamento de perto. As opções líquida, em espuma e a laser proporcionam múltiplos caminhos para o fechamento eficiente de veias doentes, unindo ciência, tecnologia e cuidado humanizado no mesmo procedimento.

Considerando todos esses aspectos – e muita segurança –, a escleroterapia segue sendo uma aliada importante no combate às afecções vasculares, promovendo saúde, autoestima e bem-estar a quem busca soluções modernas e minimamente invasivas.

Na condição de quem acompanha cada etapa, posso garantir: entender o procedimento passo a passo só reforça a confiança no tratamento e na conquista de resultados duradouros.

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Dr. Fábio Buzatto

Sobre o Autor

Dr. Fábio Buzatto

Dr. Fábio Buzatto é Cirurgião Vascular e Angiologista reconhecido em Vitória, ES, dedicado ao diagnóstico e tratamento de doenças vasculares. Com vasta experiência e foco na humanização do atendimento, utiliza as mais modernas tecnologias para oferecer soluções eficazes para problemas como varizes, trombose e má circulação, sempre priorizando o respeito e a qualidade de vida de seus pacientes.

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